Imagem: Blog do Oda (vale o clique!)
Há algum tempo atrás eu sofri “bullying” na faculdade.
Alguns pensavam que eu a autora do blog Shame on you, blogueira! (ou titia Shame pros íntimos). E se alguém me perguntava eu
sempre respondia: QUEM ME DERA!
Rolou até uma decepçãozinha quando descobriram que outra
pessoa estava por trás dos posts impagáveis da titia. E eu juro, queria MUITO ter tido esse insight, e sinto uma inveja
multicolorida da autora real...
Na verdade, sigo a Blogueira Shame há muito tempo (desde o
Twitter, quando ela tinha menos de 2000 mil followers)
e também era amiguinha da It Guéls (SDDS!).
Quando aconteceu todo esse boom causado pela Shame,
milhares de meninas e eu estávamos tão cansadas que foi um desabafo geral. E tá
aí... O bicho pegou.
Daí pra frente, foi blog
sendo investigado pelo CONAR por publicidade velada (aquelas diquinhas de
amigas das blogueiras que querem que você acredite que tropeçaram em um rímel YSL
e que agora não conseguem mais piscar sem usar ele), foi blogueira recebendo
incentivo do governo pra promover um dia de compras, matéria na Veja, Galileu e, quem
diria, na Vogue. E por aí foi... ladeira abaixo.
Não sou contra as fashion
bloggers, e nem posso. Como estudante e pesquisadora de moda, consumo e
história tenho que tentar me abster disso e olhar tudo com
imparcialidade, por isso demorei tanto a colocar a minha opinião e mexer
nesse vespeiro. Sei também da importância dos blogs na difusão de moda. Mas tem hora que calar não dá. Simplesmente
não dá.
Há alguns anos atrás os blogs
eram como diários onde a gente colocava tudo que queria: textos, fotos, vídeos,
fofocas, alfinetadas... e OPINIÕES! Sim,
vocês acreditam?! Opiniões sinceras, sem jabá. Êêê tempo bom que não volta
mais. De lá pra cá o que se vê é gente fazendo propaganda da Grendha da Giselle e usando Louboutin.
Gente, vou ratificar: eu não tenho nada contra essas meninas!
Nem as conheço, aliás.
Mas sou contra esse tipo de afronta à inteligência dos
outros. Jabá velado, diquinhas de amiga, “tem que ter” e wishlist.
Há cinco ou seis anos atrás, eu acompanhava
diariamente os blogs mais conhecidos
do país, e A-MA-VA... Era tudo bem despretensioso, pra usar um termo bem conhecido
por elas. Daí, as blogueiras cresceram, apareceram, ganharam (muito) dinheiro.
Vejam bem, não há problema algum em ganhar dinheiro com blogs! Poderia citar
dezenas que o fazem de maneira honesta e justa. Poxa, custa colocar um avisinho
dizendo que o post é pago?
O grande problema disso é que as novas leitoras desses blogs perderam essa fase que a gente lia
e tinha a impressão de “escutar a voz de uma amiga falando”. Pegaram a fase da
Jabalândia, onde todo e qualquer comentário parece ter uma intenção e preço,
mas pouca ou nenhuma verdade.
Quanto à moda, é lastimável. Todas parecem soldados fardados
no fronte fashion. Calça flare, o Loubie de estimação, camisa branca com
um nozinho (truque de styling), maxicolar
e Chanel 55. Tudo isso sem esquecer dos cabelos by Pro. Conseguiu linkar essa imagem a alguém? Aposto que a várias
não é?
Pense agora nos looks
da estilista (extremamente talentosa, vale ressaltar) idolatrada pelas
blogueiras. Sim aqueles Balmain inspired.
Argh, inspired, como eu odeio essa
palavra... E também o “look despretensioso”,
o acessório grifado que “dá bossa ao look”
e por aí vai...
Porque de look despretensioso
o inferno tá cheio.
Jacque Tamboo
